"A Primavera" by Antonio Feliciano de Castilho is a collection of poetry written in the early 19th century. The work reflects the author's deep appreciation for nature and the rural themes prevalent in Portuguese literature of the time. It captures the essence of spring, intertwining personal reflections, past experiences, and the beauty of the natural world. The opening of the collection serves as an introduction, where the author shares his personal journey and feelings about his past work, "Primavera," which he had not revisited for fourteen years. He expresses a blend of nostalgia and fear, contemplating how time has changed both him and his earlier verses. Castilho reflects on the changes in his life and in Portugal during this period, expressing a longing for simplicity and the rustic joys of life. The text hints at a blend of pastoral themes with his personal experiences, setting the tone for an exploration of love, nature, and the passage of time in the subsequent poems. (This
Así empieza
Não erão vãos os meus receios; acabo de visitar a Primavera, não ainda
para lhe emendar as miudezas, mas para a conhecer por alto, e podê-la
sentenciar no todo. Reconheci-a, mas demudada, mui outra da que a tinha
deixado na graça, geito e amores; trocarão-ma os annos, trocando-me.
Desama-la ainda não, mas ama-la tambem ja não! Se lhe não quero mal, he
só porque lhe quiz muito bem, e foi minha; mas como ja me risquei de seu
namorado, não hei de chamar-lhe formosa, que o não he, nem dissimular que
sejão defeitos, muitos que em bom tempo ja talvez lhe tive por perfeições
e primores. Não ha remedio, prometti-me seu juiz, passará por onde
houvéra de passar, se de inimigo fôra. Se ella perder do seu preço, e eu
do meu, consolemo-nos ambos d’esse pouco damno; ella por não receber de
mim injustiça, eu com ter obedecido á consciencia, que tambem em letras a
ha. Antes porem que entremos a contas e lhe formemos o summario, releva
anticipar uma dúvida não leve, que se me pode pôr, e desfazer um reparo,
que deixado a si pareceria de fôrça.
He o reparo e a dúvida; que pois he o Livro inamavel por defeitos a
seu proprio autor, não havia porque de novo o semear em público, antes
importava pôr todos os meios para que o nunca mais vissem, nem d’elle se
fizesse menção; que o contrario he faltar a toda a reverencia, que aos
leitores se deve, dando-os por broncos para conhecer o máo; ou á caridade
natural comsigo proprio, expondo-se sem fôrça de obrigação a menoscabos,
se não injurias.
Não quero responder que em dar o que ha quando ou emquanto não ha melhor,
ja o que o faz se ha de haver por desempenhado; nem que, para reo que sem
tratos e sôlto confessa os delitos, sempre por bom direito se usou de
misericordia; melhores me parecem do que estes, os meus fundamentos: e
ei-los aqui.
Prime
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