"Marilia de Dirceo" by Tomás António Gonzaga is a collection of poems published in 1792. Written by a Portuguese poet living in colonial Brazil, these verses celebrate his love for Maria Doroteia, his young fiancée. The work blends pastoral imagery with deeply personal emotion, becoming one of the most widely published works in Portuguese literature after "Os Lusíadas." Divided into three parts, the collection transforms as the poet faces imprisonment and exile, shifting from romantic idealization to darker reflections on separation and loss. (This is an automatically generated summary.)
Así empieza
Na Typ. de J.F.M. de Campos. 1824.
MARILIA DE DIRCEO.
LYRA I.
Eu, Marilia, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóes queimado.
Tenho proprio casal, e nelle assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite,
Das brancas ovelhinas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marilia bella,
Graças á minha Estrella!
Eu vi o meu semblante n'uma fonte,
Dos annos inda não está cortado:
Os Pastores, que habitão este monte,
Respeitão o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o proprio Alceste:
Ao som della concerto a voz celeste;
Nem canto letra que não seja minha.
Graças, Marilia bella,
Graças á minha Estrella!
Mas tendo tantos dotes da ventura,
Só aprêço lhes dou, gentil Pastora,
Depois que o teu affecto me segura,
Que queres do que tenho ser Senhora.
He bom, minha Marilia, he bom ser dono
De hum rebanho, que cubra monte, e prado
Porém, gentil Pastora, o teu agrado
Vale mais [~q] h[~u] rebanho, e mais [~q] h[~u] throno.
Graças, Marilia bella,
Graças á minha Estrella!
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