Eu, Marilia, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosco trato, de expressões grosseiro, Dos frios gelos, e dos sóes queimado. Tenho proprio casal, e nelle assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite, Das brancas ovelhinas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto. Gra…
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Na Typ. de J.F.M. de Campos. 1824.
MARILIA DE DIRCEO.
LYRA I.
Eu, Marilia, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosco trato, de expressões grosseiro, Dos frios gelos, e dos sóes queimado. Tenho proprio casal, e nelle assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite, Das brancas ovelhinas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto. Graças, Marilia bella, Graças á minha Estrella!
Eu vi o meu semblante n'uma fonte, Dos annos inda não está cortado: Os Pastores, que habitão este monte, Respeitão o poder do meu cajado. Com tal destreza toco a sanfoninha, Que inveja até me tem o proprio Alceste: Ao som della concerto a voz celeste; Nem canto letra que não seja minha. Graças, Marilia bella, Graças á minha Estrella!
Mas tendo tantos dotes da ventura, Só aprêço lhes dou, gentil Pastora, Depois que o teu affecto me segura, Que queres do que tenho ser Senhora. He bom, minha Marilia, he bom ser dono De hum rebanho, que cubra monte, e prado Porém, gentil Pastora, o teu agrado Vale mais [~q] h[~u] rebanho, e mais [~q] h[~u] throno. Graças, Marilia bella, Graças á minha Estrella!
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