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Poesia Portugués 14 capítulos

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de Tomás António Gonzaga

Portada de Marilia de Dirceo de Tomás António Gonzaga

Eu, Marilia, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosco trato, de expressões grosseiro, Dos frios gelos, e dos sóes queimado. Tenho proprio casal, e nelle assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite, Das brancas ovelhinas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto. Gra…

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Na Typ. de J.F.M. de Campos. 1824.

MARILIA DE DIRCEO.

LYRA I.

Eu, Marilia, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosco trato, de expressões grosseiro, Dos frios gelos, e dos sóes queimado. Tenho proprio casal, e nelle assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite, Das brancas ovelhinas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto. Graças, Marilia bella, Graças á minha Estrella!

Eu vi o meu semblante n'uma fonte, Dos annos inda não está cortado: Os Pastores, que habitão este monte, Respeitão o poder do meu cajado. Com tal destreza toco a sanfoninha, Que inveja até me tem o proprio Alceste: Ao som della concerto a voz celeste; Nem canto letra que não seja minha. Graças, Marilia bella, Graças á minha Estrella!

Mas tendo tantos dotes da ventura, Só aprêço lhes dou, gentil Pastora, Depois que o teu affecto me segura, Que queres do que tenho ser Senhora. He bom, minha Marilia, he bom ser dono De hum rebanho, que cubra monte, e prado Porém, gentil Pastora, o teu agrado Vale mais [~q] h[~u] rebanho, e mais [~q] h[~u] throno. Graças, Marilia bella, Graças á minha Estrella!

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