Existiu n'outro tempo uma vinha piedosa Doirada pelo sol da alma de Jesus, Uma vinha que dava uns fructos côr de roza, Vermelhos como o sangue e puros como a luz.
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Existiu n'outro tempo uma vinha piedosa Doirada pelo sol da alma de Jesus, Uma vinha que dava uns fructos côr de roza, Vermelhos como o sangue e puros como a luz.
Inundavam-n'a d'agua os olhos de Maria, E os virgens corações dos martyres, dos crentes Eram a terra funda aonde se embebia A mystica raiz dos pampanos virentes.
Produzia um licor balsamico, divino, Que aos cégos dava luz, aos tristes dava esp'rança, E que fazia ver na areia do destino A miragem feliz da bemaventurança.
Aos mortos restituia o movimento e a falla; Escravisava a carne, as tentações, a dôr, E transformou em santa a impura de Magdala, Como transforma Abril um verme n'uma flôr.
Bebel-o era beber uma virtuosa essencia Que ungia o coração de perfumes ideaes, Pondo no labio um riso ingenuo de innocencia, Como o d'agua a correr, virgem, dos mananciaes.
Dava um tal explendor ás almas, tal pureza Que nos Circos de Roma até se viu baixar Diante da nudez das virgens sem defeza Ao magro leão da Nubia o curuscante olhar.
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