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Drama Portugués 8 capítulos

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de Eça de Queirós

Portada de O Mandarim de Eça de Queirós

"O Mandarim" by Eça de Queirós is a novella first published in 1880. When a poor Portuguese civil servant receives a visit from the Devil, he's offered an irresistible proposition: ring a bell to inherit vast riches from a distant Chinese mandarin. After succumbing to temptation, Teodoro discovers that fabulous wealth brings unexpected torment. Haunted by his crime, he embarks on a journey to China seeking redemption, only to find that escaping the consequences of avarice may be impossible. (This is an automatically generated summary.)

Así empieza

Eu chamo-me Theodoro--e fui amanuense do Ministerio do Reino.

N'esse tempo vivia eu á travessa da Conceição n.^o 106, na casa
d'hospedes da D. Augusta, a esplendida D. Augusta, viuva do major
Marques. Tinha dois companheiros: o Cabrita, empregado na Administração
do bairro central, esguio e amarello como uma tocha d'enterro; e o
possante, o exuberante tenente Couceiro, grande tocador de viola
franceza.

A minha existencia era bem equilibrada e suave. Toda a semana, de mangas
de lustrina á carteira da minha repartição, ia lançando, n'uma formosa
letra cursiva, sobre o papel Tojal do Estado, estas phrases faceis:
«Ill.^{mo} e Exc.^{mo} Snr.--Tenho a honra de communicar a V. Exc.^a...
Tenho a honra de passar ás mãos de V. Exc.^a, Ill.^{mo} e Exc.^{mo} Snr...»

Aos domingos repousava: installava-me então no canapé da sala de jantar,
de cachimbo nos dentes, e admirava a D. Augusta, que, em dias de missa,
costumava limpar com clara d'ovo a caspa do tenente Couceiro. Esta hora,
sobretudo no verão, era deliciosa: pelas janellas meio cerradas
penetrava o bafo da soalheira, algum repique distante dos sinos da
Conceição Nova, e o arrulhar das rolas na varanda; a monotona susurração
das moscas balançava-se sobre a velha cambraia, antigo véo nupcial da
Madame Marques, que cobria agora no aparador os pratos de cerejas
bicaes; pouco a pouco o tenente, envolvido n'um lençol como um idolo no
seu manto, ia adormecendo, sob a fricção molle das carinhosas mãos da D.
Augusta; e ella, arrebitando o dedo minimo branquinho e papudo,
sulcava-lhe as rêpas lustrosas com o pentesinho dos bichos... Eu então,
enternecido, dizia á deleitosa senhora:

--Ai D. Augusta, que anjo que é!

Ella ria; chamava-me enguiço! Eu sorria, sem me escandalisar.
Enguiço era com effeito o nome que me davam na casa--po

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